.

.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

'Não fazia mal a ninguém', diz mãe de vítima de crime em briga de trânsito

Jovem morto atropelado após briga de trânsito em Ubatuba (Foto: Reprodução/Facebook) A família do adolescente de 17 ano... thumbnail 1 summary



Jovem morto atropelado após briga de trânsito em Ubatuba (Foto: Reprodução/Facebook)Jovem morto atropelado após briga de trânsito em Ubatuba (Foto: Reprodução/Facebook)






A família do adolescente de 17 anos morto em uma briga de trânsito neste sábado (16) em Ubatuba está revoltada com o crime. Leonardo Santos foi atropelado três vezes ao tentar intervir em uma discussão no centro da cidade. Renato Reingruber e Rafael Abrahão, de 19 e 20 anos, foram autuados por homicídio doloso (quando há intenção de matar).


 O advogado dos jovens, Jonas Alves, nega as acusações e diz que eles fugiram do local com medo de um assalto.
A mãe da vítima, Sebastiana Conceição, 56 anos, disse que o crime foi uma brutalidade. “Ele tentou intervir para ajudar. Meu filho não era de se envolver em confusão, era um menino trabalhador. Não fazia mal a ninguém”, diz.
Ele saiu de casa bem e não voltou mais e eu nem pude dar um beijo de despedida. Tive de enterrar meu filho de caixão fechado.
Sebastiana Conceição, mãe de Leonardo
O crime aconteceu na madrugada de sábado (16). Por volta das 3h, o carro com os dois turistas de São Paulo teria entrado na contramão na avenida Iperoig, no centro de Ubatuba, e surpreendido um grupo que atravessava na faixa de pedestre. Os jovens repreenderam os turistas e começaram uma discussão.
Os turistas entraram no carro e ameaçaram atropelar o grupo. Leonardo Santos estava próximo do local quando viu a briga e tentou intervir, mas não conseguiu. O motorista do veículo arrancou com o carro e o atropelou.
Segundo a Polícia Civil, com a vítima desacordada ao chão eles ainda atropelaram o adolescente outras duas vezes, uma delas atingiu a cabeça de Leonardo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas o jovem morreu no local. Os rapazes foram reconhecidos e presos na manhã de sábado em um condomínio de luxo da cidade.
Família passou cerca de 17 horas em busca do rapaz (Foto: Reprodução/Facebook)Família passou cerca de 17 horas em busca do rapaz (Foto: Reprodução/Facebook)
O corpo ficou 17 horas no Instituto Médico Legal (IML) de Ubatuba sem reconhecimento. A família chegou a postar fotos do jovem nas redes sociais em busca de notícias. Segundo a família, ele havia trabalhado na sexta-feira, à noite saiu com alguns amigos e não retornou para casa.
A mãe contou que chegou a ver no noticiário a história de um rapaz morto atropelado, mas não imaginou que fosse o filho. O corpo foi reconhecido por um cunhado ao buscar informações no Istituto Médico Legal. Ele foi identificado a partir de uma tatuagem no braço, já que o rosto estava desfigurado.
“Eles não pouparam a vida do meu filho e nem o meu direito de me despedir. Ele saiu de casa bem e não voltou mais. Eu nem pude dar um beijo de despedida. Tive de enterrar meu filho de caixão fechado. Não pude vê-lo”, lamenta a mãe.
Carro usado para o crime (Foto: Pedro Melo/ TV Vanguarda)Suspeitos atropelaram vítima três vezes após
confusão (Foto: Pedro Melo/ TV Vanguarda)
Leonardo era um dos mais novos de outros 11 irmãos. A família simples mora no bairro Ipiranguinha em Ubatuba. Para ajudar a família, o adolescente deixou os estudos para trabalhar como servente de pedreiro. Ele sustentava a casa com outro irmão, já que a mãe não pode trabalhar por problemas de saúde.
“Meu filho era tudo para mim. Ele ajudava em casa, era carinhoso, um ótimo filho. Eles acabaram com a vida dele e com a minha. Quero que a justiça seja feita. Nada traz meu filho de volta, mas quero que eles paguem pelo que fizeram”, disse.
A polícia chegou nos autores depois de encontrar um documento no local do crime. O motorista e o carona envolvidos no crime são turistas de São Paulo que estavam na cidade a passeio. Eles foram presos no sábado enquanto dormiam em um condomínio de luxo.

O advogado de Renato Reingruber e Rafael Abrahão, Jonas Alves, nega as acusações da polícia e alega que eles acharam que a confusão era uma tentativa de assalto e fugiram com medo. A defesa pediu ao juiz a soltura dos dois, que estão na carceragem da Polícia Civil em Ubatuba, mas o pedido foi negado.

Nesta segunda-feira, a reportagem do G1 procurounovamente o advogado dos jovens presos pelo crime, mas ele não atendeu as ligações.

Nenhum comentário

Postar um comentário