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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

2ª saída de campo do Projeto “Levantamento “in loco” das áreas de manguezais de Ubatuba- ONG APPRU

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2ª saída de campo do Projeto “Levantamento “in loco” das áreas de manguezais de Ubatuba- ONG APPRU (Amigos na Preservação, Proteção e Respeito à Ubatuba).
No dia 30 de julho, a segunda expedição do projeto voltou à Praia da lagoa, ao sul de Ubatuba, para mais uma etapa de pesquisa. 





Na primeira expedição de reconhecimento da área foram avistadas árvores de mangue branco (Laguncularia racemosa) dentro d’água, mas devido a cheia sazonal da lagoa o reconhecimento foi feito visualmente, da margem. Para a segunda visita técnica foram levados dois caiaques individuais, com os quais os biólogos Santiago Bernardes e Fábio C. Vital, percorreram a lagoa num percurso de 1,81km, num trajeto beirando as margens da lagoa, principalmente.
Os demais participantes se dividiram em equipes de fotógrafos, (grupo Promata-Sertão da Quina e Pedro Caetano, do Projeto Preservar os manguezais de Caraguatatuba, encarregados de registrar as espécies animais e vegetais em terra e o trabalho dos técnicos na lagoa e do grupo de voluntários que realizou uma limpeza da área de praia e restinga, na qual foram retirados cerca de trezentos quilos de resíduos sólidos, sendo a maior parte constituída por isopor e plástico.
No trabalho na lagoa, foram encontrados 11 pontos de ocorrência de Laguncularia racemosa, popularmente chamada de mangue branco, sendo marcadas as coordenadas e feita uma estimativa visual do número de indivíduos da espécie, pois como a lagoa se encontrava cheia a contagem dos caules não pôde ser realizada com uma precisão maior. Algo que pode ser feito no verão, quando a possibilidade da lagoa romper a faixa arenosa que a separa do mar é maior devido ao regime intenso de chuvas. No inverno ela permanece cheia e recebe ocasionalmente a entrada de água do mar, quando há ressacas, que é o aumento da atividade marítima costeira em decorrência da atuação de campos de vento em alto mar. No dia dessa expedição o mar apresentava essa condição, impossibilitando que um barco de apoio pudesse chegar à costa.
Assim como as demais espécies de mangue, a Laguncularia racemosa tolera taxas altas de salinidade, pois possui estruturas especializadas em eliminar o sal absorvido pela planta, localizadas nos pecíolos, chamadas de glândulas de sal.
Por ser uma lagoa costeira que nem sempre está em contato direto com o mar, a taxa de salinidade tende a ser menor do que em estuários abertos, e o fato do mangue-branco existir também em áreas de baixa salinidade se deve ao fato da espécie competir mais eficientemente com outras em áreas de reduzido teor de sal. É uma espécie que ocorre em áreas mais resguardadas da influência das marés, em uma zona de energia menos intensa.
Espécies associadas também ao ambiente de lagoa costeira, estuários e manguezais avistadas foram: Spartina alterniflora (capim paraturá ou capim-da-praia), sendo esta última uma gramínea que ocorre nas margens, à frente da vegetação lenhosa; Hibiscus pernanbucencis (guaxuma do mangue) e Acrostichum aureum (avenção), comuns em áreas onde ocorrem derrubada das espécies típicas. Na orla do manguezal, as principais espécies avistadas foram: Inga affinis (ingá doce), Erythrina speciosa (suinã, mulungu) e Tabebuia cassinoides (tabebuia do brejo, caixeta). Foram avistadas também espécies que ocorrem em zonas de transição entre manguezal e outros tipos de vegetação, como Dalbergia ecastophylla (marmelo do mangue), Paspalum vaginatum, Schinus terebinthifolius (aroeira) e Typha domingensis (taboa).
Os dados da pesquisa estão sendo analisados e organizados pelos biólogos da ONG APPRU. Todo o trabalho está sendo realizado em sistema de voluntariado.
O objetivo do projeto é identificar possíveis ocorrências de espécies de mangue em conjunto ou isoladamente, em todo o litoral de Ubatuba; realizar registro fotográfico da fauna e flora e da área de entorno para identificar possíveis degradações. É realizada uma saída técnica por mês, sem um prazo fixo de conclusão do estudo. É feita também uma reunião por mês entre as instituições parceiras e voluntários para debater resultados e alinhar as propostas de ação, conforme a demanda local de cada lugar a ser visitado. Em locais onde existem comunidades serão desenvolvidas ações de educação ambiental em parceria com associações ou instituições de moradores.

As informações obtidas poderão ser utilizadas para:

- Gerar novos subsídios para pesquisas locais;
- Fomentar ações de educação ambiental
- Criar dados que possam colaborar na elaboração de políticas públicas locais;
- Fonte de dados;
- Elaboração de guia;
- Desenvolvimento de ações de conservação;
- Identificação de problemas;
- Aumentar o conhecimento sobre a região;
- Diagnóstico ambiental;

A constatação desses pontos de mangues apresenta grande importância devido ao fato de que não foram encontradas previamente referências bibliográficas de estudos apontando a ocorrência de espécies de mangue nessa praia do munícipio de Ubatuba.
As mudanças no novo Código Florestal, que determinaram que os manguezais de todo o país passem a ser Áreas de Preservação Permanente (APP) também vetaram dois parágrafos da lei que permitiam a municípios e estados decidir sobre a proteção de manguezais e dunas.

Segundo o atual Código Florestal, Lei nº12.651/12:

Art. 3o Para os efeitos desta Lei, entende-se por:
(...)
II - Área de Preservação Permanente - APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas;

O grupo, contando com vários voluntários entre estudantes universitários (Centro Universitário Módulo, de Caraguatuba) e de cursos técnicos do município (ETEC Tancredo Neves, de Ubatuba), saiu à 7:20 hs da Base da Polícia Ambiental de Ubatuba, no bairro Silop, de ônibus.

Trabalho realizado com as parcerias de: Policia Militar Ambiental, APA Marinha-LN, Câmara Municipal, Empresa Verdebus, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Grupo ProMata, ONG Guardiões do Mar, Aquário de Ubatuba, Projeto Preservar os Manguezais de Caraguatatuba, Ambiere Serviços Turístcos e Aventura, Terra Guaiamum.

(Texto: Santiago Bernardes)

Visite a página oficial: Manguezal Berço Ameaçado.

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