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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Projeto “Levantamento “in loco” das áreas de manguezais de Ubatuba- ONG APPRU (Amigos na Preservação, Proteção e Respeito à Ubatuba).

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 3ª saída de campo do Projeto “Levantamento “in loco” das áreas de manguezais de Ubatuba- ONG APPRU (Amigos na Preservação, Proteção e Respeito à Ubatuba).
Praia da Caçandoca

Histórico:
Comunidade localizada em Ubatuba, na Serra da Caçandoca, área tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Artístico - Condephat, através da Portaria n° 40, de 6/06/85, tendo sido o seu território reconhecido e demarcado pelo ITESP com 890 hectares. Limita-se a leste com a orla marítima, a oeste e ao sul com o divisor de águas da Serra Caçandoca e ao norte com a Praia do Pulso. O acesso à área é feito através da BR-l0l, na altura das Praias de Maranduba e do Pulso, por uma estrada de terra com 4 quilômetros de extensão.




“Historicamente, o território da comunidade foi ocupado em meados do século XIX por uma fazenda de café e um engenho de açúcar, estabelecidos e desenvolvidos com base no trabalho escravo. Após a abolição da escravatura, surgiram vários herdeiros da terra, constituídos pelos filhos e netos, legítimos e espúrios, do antigo proprietário, os quais, juntamente com ex-escravos, tornaram-­se os legítimos possuidores da antiga fazenda.

Rio da Caçandoca

O território ocupado pelos quilombolas é hoje identificado pelos nomes das diversas localidades que compõem a área pertencente à comunidade: Praia do Pulso; Caçandoca; Caçandoquinha; Bairro Alto; Saco da Raposa; São Lourenço; Saco do Morcego; Saco da Banana e a Praia do Simão. Nestes lugares surgiram os ­núcleos habitacionais que mantêm relações entre si e se constituíram como base na mesma unidade etno-cultural.


Igreja da Caçandoca

Até os anos 60, existiam na área por volta de 70 famílias e uma população de 800 indivíduos, que viviam em conformidade com o modo de vida antigo da comunidade, produzindo para a subsistência, praticando a pesca, fabricando a farinha e cultivando a banana, que se tornou a principal fonte de renda da comunidade.

Esplanação de como  será    o levantamento dos mangues.

Após a construção da BR-l01, as terras da comunidade foram muito valorizadas, passando a ser objeto da cobiça dos especuladores imobiliários que se utilizaram de todos os meios para expulsar os antigos moradores de suas terras, desde ações judiciais, compras e indenizações forçadas, até violência física, não sendo incomum a prática de crimes, destruição de igrejas e o incêndio de habitações. A Imobiliária Continental, que se diz proprietária de 50% da área, "desde 1973 até 1985-1986 manteve a área bloqueada, com cercas e correntes, à passagem de automóveis, desde a entrada do Condomínio do Pulso até a Praia da Caçandoca, o que impediu o acesso de transporte para pessoas que se encontravam doentes”.

Guiamus em ação.......

(ITESP, Relatório Técnico-Científico sobre a Comunidade de Quilombo da Caçandoca - Município de Ubatuba/São Paulo, junho de 2000, p.43)
A 3ª expedição de levantamento “in loco” da áreas de manguezais de Ubatuba teve o objetivo de verificar a presença do ecossistema manguezal na praia de Caçandoca e as condições ambientais básicas do local.
Foi constatado através de um percurso iniciado a partir do canto direito da praia que ali há características que indicam a antiga formação de um manguezal. O solo é lodoso, apresentando umidade típica, presença de muita matéria orgânica em decomposição e salinidade. Há muitas tocas de caranguejo Cardisoma guaiumi, popularmente conhecido como guaiamum, do qual foram encontrados restos, possivelmente tendo sido alimentos para aves e mamíferos. Moradores locais relataram a ocorrência e mostraram fotos de guaimuns no período da “andada”, ou seja no período reprodutivo, quando os caranguejos machos e fêmeas saem de suas galerias (tocas) e andam pelos manguezais para o acasalamento e liberação dos ovos.



Também, segundo relatos de moradores locais, houve um desvio do curso natural do rio, na década de 70, feito por uma empresa que pretendia construir um condomínio na área,(Imobiliária Continental), ação (criminosa), que veio a descaracterizar o ambiente formando ambientes alagadiços separados do novo traçado do rio, nos quais outras espécies vegetais passaram a ocorrer e a competir, sufocando as antigas árvores de mangue que ocorriam antigamente.Essas áreas do rio que foram cortadas, quando alagam, por não terem vasão apresentam características de charco, com água estagnada e sem oxigenação suficiente para o desenvolvimento de espécies de peixes. Houve assim uma nova configuração florística com presença de espécies arbóreas maiores típicas de floresta mais densa de encosta, além de outras de restinga. Acrescenta-se também a supressão das espécies arbóreas de mangue que ali ocorriam.
Dona Marlene do Projeto Terra guaiamum fez uma série de desenhos do antigo curso do rio, ficando bem visível a mudança de percurso que gerou transformações no ambiente.
Queimada  na entrada da praia da Caçandoquinha

Essa mudança teve impacto significativo na dinâmica hidrológica e florestal da área. A partir dos desenhos foi feito um comparativo com a situação atual. O rio, com menos meandros (curvas) está mais sujeito ao carreamento constante de sedimentos que seriam depositados no solo e filtrados pelas raízes de mangue. Carreamento gerado tanto por eventos pluviais quanto por entrada de água do mar no fluxo das marés e em épocas de ressaca. Essa sedimentação é uma das características que compõem o solo rico em nutrientes de um manguezal, nutrientes que por sua vez alimentam as espécies de mangue.
Entre as espécies vegetais constatou-se a presença de cana Ubá (Gynerium sagittatum ) uma comprida grama que alcança até 10 metros de altura. É uma espécie muito vigorosa que cresce numa considerável massa densa de vegetação. É uma das primeiras plantas a colonizar áreas abertas, sendo uma importante espécie pioneira, que alcança novos locais através de sementes distribuídas pelo vento. Uma vez estabelecida, ela se espalha vegetativamente, sendo encontrada geralmente perto de rios, lagos e praias. Também foram encontradas: guanxuma do mangue (Hibiscus pernanbucencis) e avencão (Acrostichum aureum), comuns em áreas onde ocorrem derrubada das espécies típicas. Constatou-se também a presença grande de aroeira (Schinus terebinthifolius) e mulungu (Erythrina mulungu), dentre outras.

A equipe do Promata constatou, através de visualização e da vocalização, a ocorrência de 69 espécies de aves na área, como inambuguaçu, tesourão, socozinho, etc.
Uma parte da equipe de voluntários realizou um limpeza da orla da praia e da área do canto do rio, sendo retirado cerca de 150 Kg de resíduos sólidos, com predominância de plástico e isopor.
Com a descaracterização sofrida pelo ecossistema as espécies arbóreas típicas de mangue deixaram de ocorrer, no entanto, como a área abriga ainda muitos caranguejos guaiamuns e sendo esta espécie protegida por lei devido ao risco de extinção, deve ter seu habitat protegido. Faz-se necessário um diagnóstico da área, com levantamento de espécies vegetais e animais para gerar um plano de manejo local, pois pode ocorrer um impacto ainda maior sobre esta espécie com as mudanças químico-físicas de seu habitat natural. Uma ação a ser estudada é a regeneração do antigo manguezal com o plantio de espécies de mangue.




Os dados da pesquisa estão sendo analisados e organizados pelos biólogos da ONG APPRU.
Todo o trabalho está sendo realizado em sistema de voluntariado.
O grupo, contando com vários voluntários entre estudantes universitários (Centro Universitário Módulo, de Caraguatuba) e de cursos técnicos do município (ETEC Tancredo Neves, de Ubatuba), saiu à 7:20 hs da Base da Polícia Ambiental de Ubatuba, no bairro Silop, de ônibus.
Trabalho realizado com as parcerias de: Policia Militar Ambiental, Câmara Municipal, Empresa Verdebus, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Grupo ProMata, ONG Guardiões do Mar, Projeto Preservar os Manguezais de Caraguatatuba, Ambiere Serviços Turísticos e Aventura, Terra Guaiamum, ARCQC (Associação de Remanescentes da Comunidade Quilombo Caçandoca), SANEPAV.
FONTE...............ONG  APPRU   VIA FACEBOOK
FOTOS   BY   SANTIAGO BERNARDES


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