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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

ANJOS DA SAÚDE - PARTE 1

Tem este relato a finalidade de esclarecer o outro lado da história sobre a saúde daquela época em Ubatuba, para os nossos leitores... thumbnail 1 summary



Tem este relato a finalidade de esclarecer o outro lado da história sobre a saúde daquela época em Ubatuba, para os nossos leitores migrantes, que fixaram residência definitiva ou de passagem, principalmente para fortalecer a memória dos nossos caiçaras da gema e do Centro, das praias e dos sertões. Essa história de que em Ubatuba não tinha médico durante duas décadas, não é bem assim não, eles falam, mas não citam em que década.



A década foi a de 20 e parte da de 30, porque em fins de 1935, foi instalado precariamente o primeiro Posto de Saúde de Ubatuba, sob o comando do médico Dr. João Carlos de Miranda, O Dr. Miranda, como ficou conhecido. Veja na foto o que diz o depoente: Sr. Durval Alexandre de Oliveira, de 82 anos, caiçara da gema e da praia do Puruba, nasceu em 1918 (Os Caiçaras Contam, editado e produzido pela editora Publischer Brasil, setembro de 2000, página 53. Administração Zizinho Vigneron).

Seu Filhinho, quando relatou no seu livro A Farmácia do Filhinho, pág.105, diz: - “No período de 1925 a 1975, intercaladamente passou por aqui um relativo número de médicos”, então, veja que isso é conversa afiada dos eleitores de cabresto e simpatizantes anônimos apaixonados pelo farmacêutico Seu Filhinho. Essas matérias, geralmente são publicadas sem assinatura, com o único intuito de tentar confundir a população migratória e, os próprios ubatubanos mais descuidados, com declarações como estas: “- Ele fez muito por Ubatuba! O povo soube reconhecer! Seus serviços como médico da cidade foi primordial para a saúde. Ele é o nosso médico! O nosso herói! E mais, que o único médico de Ubatuba naquela época era o Seu Filhinho. Sem nunca falhar uma medicação. Abriu a farmácia e começou atender os doentes.”. Tudo isso na opinião deles. Se ele praticava tudo isso que os simpatizantes disseram e continuam dizendo, então ele estava praticando exercício ilegal da medicina, um crime! Mas isso era o que os simpatizantes do farmacêutico Seu Filhinho gostariam que ele fosse, então criaram toda essa celeuma, mas as urnas eleitorais mostraram sempre ao contrário. (Perdeu todas as eleições que disputou, só venceu uma para vereador no pleito de 1964 porque o seu nome estava atrelado ao candidato a prefeito, Francisco Matarazzo Sobrinho.)
Há alguns anos, os políticos da cidade homenagearam várias pessoas. Ao término das homenagens, Seu Filhinho, o Frei Pio e outros homenageados vieram caminhando da Câmara Municipal até o centro e fizeram uma parada na farmácia. Formaram ali uma rodinha de amigos para se despedirem. O Frei Pio então pergunta ao seu Filhinho. “- Filhinho, você não se sente constrangido de ser tão homenageado?” - Eu não! Porque eu não peço nada a ninguém, eles que querem me homenagear. Seu Filhinho respondeu ao pé da letra, corretamente. Este é o verdadeiro Seu Filhinho de Ubatuba, que eu conheci e todos os ubatubanos da gema e do centro conheceram. Fora disso, é balela!!! O Frei Pio veio para a paróquia de Ubatuba mais ou menos em 1967, era conhecedor do cotidiano aqui do Centro. O que o padre quis dizer é exatamente o mesmo que eu venho tentando esclarecer e os leitores talvez tentando entender. Eu entendi que o Frei Pio quis dizer: “O que será que o Seu Filhinho tanto fez pela cidade, que eu desconheço, para ser tão homenageado?” Esta talvez seja também a pergunta dos leitores. Em minha opinião, nada relevante. Ele foi corajoso, até herói, em abrir uma farmácia em 1928, que só começou a pegar no breu mesmo, 22 anos depois. É por isso que eu estou mostrando o outro lado da moeda.
Seu Filhinho era farmacêutico, dono de uma farmácia, que vendia remédios e preparava medicamentos mediante uma receita médica. Fora disso, o resto é papo furado dessa meia dúzia de simpatizantes que tem a única finalidade de confundir e não de esclarecer, usando todos os meios de comunicação disponíveis na cidade. Um simpatizante chegou ao cúmulo da mentira e publicou na internet que ele foi prefeito por 9 meses em 1952, e vereador por diversas vezes. Agindo dessa maneira, tentam por em descrédito a história e tudo o que o próprio Seu Filhinho já escreveu. Em 1952/1955 o prefeito era o comerciante José Fernandes, e o vice, o migrante da cidade Santos (SP), Guilherme Martini.
Eu já li os dois livros de Seu Filhinho e todas suas declarações dadas às revistas e jornais, e não se nota nenhuma ligação com as declarações de seus simpatizantes gratuitos e eleitores de cabresto, e mais um punhado de caiçaras (das dúzias), alguns migrantes e outros recém-chegados na cidade. Esse endeusamento do Seu Filhinho teve iniciou a partir da fundação da Fundart (Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba) em 30-11-1987, foi a responsável por toda esta celeuma. Mas tudo o que foi falado e publicado é na opinião deles, em hipótese alguma reflete a opinião da maioria da população daquela época.
A prova disso que a Fundart publicou uma nota no jornal A Cidade, em 03-02-2001, página 11, pedindo às pessoas que tivessem fotos, móveis, quadros, livros, ou originais e outros objetos que fizeram parte da vida de Washington de Oliveira. Até uma historiadora colocaram a disposição. Ora, se a própria família não tem, e muito menos os simpatizantes, o povão é que vai ter? Eu considero este pedido da Fundart descabido e petulante. E digo mais, um museu histórico público, durante 24 anos batendo na mesma tecla, dedicados exclusivamente para homenagear somente duas pessoas, Seu Filhinho e a migrante Dª Idalina Graça. Agora tentam introduzir outra migrante, uma tiazinha, formando um trio, aliás, já é um quarteto. E os homens do passado que fizeram à cidade? Então, o museu é particular? Isso denigre a imagem histórica da cidade, põem em descrédito principalmente partindo de um órgão público. O que vão pensar os nossos visitantes?
No livro “A Farmácia do Filhinho”, ele relata em 12 páginas, de 105 a 111 e 203 a 207, sobre a saúde, que na verdade não é bem sobre a saúde de Ubatuba, são mais sobre os fatos do cotidiano da sua farmácia. O seu relato é totalmente contrário dos simpatizantes, portanto o farmacêutico Seu Filhinho, não tem nada a ver com essa celeuma criada por essa gente. É sobre essas 12 páginas e tudo mais que os leitores e a população já leram ou ouviram falar e, agora, eu vou mostrar o outro lado da história.
Vejam os senhores leitores esta declaração do meu conterrâneo simpatizante apaixonado, o Sr. João Claro da Rocha, publicado no livro Os Caiçaras Contam, página nº 52: “- Não tem família antiga em Ubatuba que não deva favores para o Seu Filhinho, ele era nosso único recurso, era nosso médico”. Para que eu possa respeitar a opinião do depoente, ele deveria ter usando o pronome na 1ª pessoa do singular (meu). O pronome meu pertence à pessoa que fala e jamais ao alheio, por isso estou respondendo. A minha família nunca deveu favores para o farmacêutico e tenho certeza que as demais também não, a não ser... os eleitores de cabresto. Seu Filhinho era comerciante, vendia remédio e cobrava pelos serviços prestados, que deixou bem claro, quando relatou os fatos do cotidiano da sua farmácia, no livro “A Farmácia do Filhinho”. Agora, se família do depoente e mais esse pessoal supracitado devem favores para o farmacêutico, o problema é somente deles.
Após consultar inúmeros moradores daquela época, do qual eu me incluo, discordo desses simpatizantes que procuradores desses moradores fizeram-se alvorando alegações inverídicas, já que muitos são os que nunca tiveram naquele senhor vínculo de dependência, quer política, sentimental ou mesmo relativa à saúde. Eu e mais um punhado de ubatubanos caiçaras da gema e do Centro, alguns das praias e dos sertões, temos a consciência reta da importância da implantação da farmácia do Seu Filhinho durante os 47 anos de existência, de 1928 a 1975, vendendo remédio à população de Ubatuba. Vale lembrar que o seu monopólio perdurou por 28 anos, até 1956, quando foi inaugurada a Farmácia do Povo, sito a rua Cel. Domiciano, 278 (antiga rua Esperança), de propriedade do farmacêutico Benedito Vicente de Almeida, que foi vereador e presidente da câmara de 01-01-1959 a 31-12-1960.
Em Ubatuba, naquela época, em todos os bairros tinha sempre alguém que aplicava injeções, manipulava doses homeopáticas, benzedores, parteiras, com competência e o dom de cuidar das pessoas doentes gratuitamente. Aqui no Centro tinha um punhado, além dos enfermeiros do posto de saúde, Santa Casa e do posto de Puericultura. Tinha o Seu Guatura, o Japão, o Romão e a competente parteira Dª Zelinda das Dores Pereira. Então pedi a minha conterrânea da gema e do bairro da Maranduba, Maria da Cruz, assídua leitora da revista O Guaruçá, um relato sobre os Anjos da Saúde do seu bairro e, para minha surpresa, fui presenteado com um relato para abrilhantar e ratificar o meu relato sobre os verdadeiros Anjos da Saúde aqui do Centro.
O relato de Maria da Cruz você vai ver no final da matéria.
[Clique aqui para acessar a listagem dos textos (já publicados) da série Construindo o passado IV - Anjos da saúde.]

Nota do Editor: Francisco Velloso Neto, é nativo de Ubatuba. E, seus ancestrais datam desde a fundação da cidade. Publicado no Almanak da Provícia de São Paulo para o ano de 1873. Envie e-mail para thecaliforniakid61@hotmail.com.

FONTE............www.ubaweb.com




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