.

.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Assembleia Cidadã da Cultura de Ubatuba reúne

Da Redação A Fundart e o Conselho Municipal de Política Cultural de Ubatuba (CMPC) realizaram na noite desta quarta-feira, dia 29, a... thumbnail 1 summary



Da Redação
A Fundart e o Conselho Municipal de Política Cultural de Ubatuba (CMPC) realizaram na noite desta quarta-feira, dia 29, a Assembleia Cidadã da Cultura, que contou com palestras e uma roda de conversa sobre cultura e gestão de projetos culturais.


 


De acordo com o presidente da Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba, Pedro Paulo, o objetivo do encontro foi esclarecer os caminhos e as burocracias do Plano Municipal de Cultura. “Estamos aqui para elucidar, principalmente aos conselheiros e funcionários da Fundart, a melhor maneira de lidar com as proposituras do Plano Nacional de Cultura no âmbito municipal”, explicou Pedro Paulo.
Um dos palestrantes da noite, o historiador, escritor e gestor de políticas Célio Turino explicou o que é cultura e sua importância. “Cultura é vida, é ela que nos define como seres humanos, é o que as pessoas fazem delas mesmas. Se a gente perde essa dimensão, a gente vai se transformando em coisa”, afirmou Turino, que elogiou a diversidade cultural de Ubatuba, com suas comunidades caiçaras, quilombolas e indígenas. “Essa pluralidade favorece a cultura do planeta. Ubatuba tem uma grande área de mata preservada, muita rica exatamente pela diversidade, com vários tipos de plantas e de árvores, onde uma protege a outra e uma complementa a outra. O segredo da riqueza da Mata Atlântica está na sua diversidade, então um povo que empobrece a sua diversidade se empobrece e se desertifica”, completou o convidado.
Para falar melhor sobre projetos, cultura e cidadania, Aluízio Marino – especialista em Gestão de Projetos Culturais – também analisou a estrutura do Conselho Municipal de Política Cultural de Ubatuba. “Da forma como está estruturado em lei é um conselho bastante interessante, porque é deliberativo e formado pela maioria da sociedade civil, que traz como principal a voz da sociedade dentro de suas decisões. Dentro da institucionalidade, da legislação e da sua estrutura é um conselho bem avançado”, considerou Aluízio, que criticou o atual modelo de financiamento à cultura do País.
“Existe uma prática de incentivo à cultura, pensando como sociedade civil, sempre no viés de editais públicos ou leis de incentivo, que tem algumas questões que são muito complicadas. Esses modelos trabalham uma lógica muito mais de competição e menos de solidariedade, onde os coletivos, os artistas, precisam competir entre si para ver quem vai ganhar o incentivo, que já é pouco. Então eu vejo como um pouco perverso esse resultado. Você está incentivando, mas está incentivando mais ainda a competição entre os atores do que eles a se articularem e agirem em conjunto. É preciso repensar esse modelo de financiamento, que também privilegia quem sabe escrever o projeto, quem tem a técnica, um conhecimento que muitas vezes não é o saber de uma comunidade caiçara ou quilombola, por exemplo, que possui um conhecimento tão importante ou mais importante, que é o conhecimento ancestral, do modo de vida, algo muito mais complexo e mais rico. Só que infelizmente a forma como o financiamento se coloca ele privilegia o burocrata, o técnico, o cara que entende da lógica de elaboração de gestão de projetos e, na maioria das vezes, esse não é o melhor projeto a ser aprovado ou território ideal para ser financiado”, explicou Aluízio Marino.
Em entrevista ao Portal Caiçara, Aluízio defendeu um modelo de financiamento específico para cada cidade, mediante a identidade, particularidade e realidade de cada município e, para isso, segundo ele, é imprescindível a participação da sociedade.
O evento aconteceu no auditório da Unitau, no Itaguá, e teve a entrada gratuita.



http://portalcaicara.com.br/assembleia-cidada-da-cultura-de-ubatuba-reune-especialistas-e-comunidade-civil-para-debater-politicas-publicas-para-pasta/

Nenhum comentário

Postar um comentário