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terça-feira, 25 de abril de 2017

Pombos Domésticos “Uma dócil e perigosa praga urbana”

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Essa ave urbana, classificada pela nomenclatura como Columba livia domestica, é uma ave sinantrópica e potencial transmissora de doenças que podem infectar o homem e alguns animais, através da distribuição e disseminação de agentes patogênicos.





O comportamento doméstico dessas aves no meio urbano, estimulado pela cultura humana de proteção, carinho, religiosidade e, principalmente, ignorância sanitária, favorece a proliferação o consequente aumento da população, e, por conseguinte, os riscos e agravos à saúde pública.
A convivência amistosa e pacífica com a população e seus hábitos de frequentarem locais poluídos e contaminados por lixo e fezes, as torna, segundo pesquisas científicas, reservatórios de agentes infecciosos e parasitários.
Inúmeros estudos e pesquisas realizadas em empresas processadoras de grãos alimentícios, áreas processadoras de alimentos, locais de intensa circulação de pessoas, centro de armazenagem de legumes e frutas e fast food de alta movimentação, demonstraram contaminação por protozoários, helmintos e fungos.
Dentre os protozoários patogênicos (causadores de doenças entéricas) foram identificados: entamoeba coli, entamoeba histolytica, giardia spp, isospora spp, iodamoeba spp e outros. Dentre os helmintos (causadores de verminoses), foram identificados: ascaris spp, strongyloides spp, trichuris spp, enterobius spp, ancylostoma spp e outros.
Além das doenças entéricas e parasitárias, os pombos também são responsáveis por doenças causadas por fungos patogênicos que desenvolvem-se em seus escretas e no solo.
O Histoplasma capsulatum (causador da histoplasmose), que se desenvolve sobre fezes de galinha, morcego e pombo, infecta o homem através da inalação da poeira carregada por esporos do fungo, desenvolvendo formas clínicas assintomáticas, tosses, febres, pneumonias, hepatoesplenomegalia e até lesões pulmonares graves. O Criptococus neoformans (causador da criptococose ), também se desenvolve sobre fezes de pombo, desenvolve formas clínicas de meningo- encefalite e lesões pulmonares graves, em seres humanos.
Não bastasse toda esta possibilidade de doenças, devemos ter um cuidado especial para não subestimarmos a existência de alguns ecto-parasitos, chamados vulgarmente de “piolhos”, que, além de parasitarem os pombos, infestam também o homem, causando, em muitos casos, sérios problemas de alergia, principalmente, em crianças e idosos.
Não considerando somente os agravos na saúde, devemos considerar o aspecto estético-higiênico-sanitário. Pois, um único pombo pode depositar, em um ano, 2,5Kg de escretas e com isto “decorar”, de forma artística, fachadas, janelas, marquises, monumentos históricos, luminárias e, algumas vezes, ternos e vestidos de transeuntes.
A magnitude deste problema nos obriga a reflexões mais profundas e mais sérias sobre o conceito de inofensividade dessa ave. Precisamos encará-las como vetores causadores de morbidade e mortalidade e, por conseguinte, combatê-las.
E, para combatê-las, há necessidade de conhecimento específico, integrando programas de controle com ações educacionais de mudanças de comportamento, de conceito sanitário, de preservação do meio-ambiente e melhoria da qualidade de vida.
Combater pombos não é matá-los, mas sim, tornar o ambiente o mais impróprio possível para sua presença. Pense primeiro em sua saúde. Remediar é sempre mais dramático!

José H. de Rezende Neto
Médico Veterinário
Saúde Pública


Publicado originalmente pelo Jornal A Cidade de Ubatuba e Região via facebbok

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