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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Ubatuba e seus nomes indígenas

Por Nei Caetano Quem desce a Serra de Ubatuba certamente vem sonhando antecipado com a beleza que lhe espera, suas 102 praias, incontá... thumbnail 1 summary


Por Nei Caetano

Quem desce a Serra de Ubatuba certamente vem sonhando antecipado com a beleza que lhe espera, suas 102 praias, incontáveis cachoeiras, a vegetação nativa, últimos resquícios de Mata Atlântica, a brisa das tardes ensolaradas ou mesmo chuvosas, chuva revigorante que cai quase sempre no entardecer dos verões, as saíras coloridas, os tiês, beneditos, robalos, sororocas e tartarugas. 




Um mais interessado observador irá prestar atenção ainda nos nomes dados aos maravilhosos recantos. E notará que aqui a língua portuguesa divide espaço com a dos antigos habitantes, a nação tupinambá.
O Ubatubense nato, dito caiçara – ka’ayasara, cerca feita dos galhos das árvores – tem uma consideração, orgulho mesmo, enorme de seus antepassados, formados a partir da base de três etnias: índigenas tupinambás, negros escravos formadores  dos quilombos, brancos de origem principalmente portuguesa ou francesa. Cunhambebe, Coaquira, Aimberé, Pindobussú, são heróis nesta terra.
Já no pé da serra vai se deparar com o primeiro: Ipiranguinha, pequeno rio vermelho, abrindo as portas do paraíso, levando às primeiras praias centrais, Iperoig, Rio do Tubarão, e Itaguá, buraco de pedra, praças das grandes ocas, origem da urbe. Divisadas à direita pelo combalido rio Acaraú, peixe preto, e pela esquerda pelo Morro do Curuçá, cruz de madeira, palavra nova, dizem que variante de itacuruçá, cruz de pedra. Vai saber! Mas está ali o Curuçá e suas lendas.
A partir daí o viajante escolhe, vira à esquerda se gosta mais de natureza, de rincões selvagens, ou à direita, se lhe aprecia a integração do belo com o novo. Mas a língua dos antigos ainda o acompanhará. Para a direita, Perequê-açu, grande entrada de peixes; Itamambuca, pedra porosa; Prumirim, rio pequeno dos tubarões; Ubatumirim, pequeno sítio de canas; Puruba, zunido; Surutuba, praia muito mansa; Picinguaba, refúgio de peixes, até chegar ao Camburi, rio que muda de lugar.
Voltando ao centro, seguir os nomes e os rumos do sul, sendo observado lá do alto pelo imponente Votuporanga, vento bonito, que depois chamaram Corcovado, mas que algum antigo ainda deve de preservar o nome dado pelos antepassados, olhando à direita para o Jundiaquara, toca dos jundiás (peixe), à frente para a linda Ilha da Tapira, lugar calmo, hoje Anchieta, passando pela Itapecirica, pedra lisa;  Perequê-mirim, pequena entrada de peixes; a linda e perigosa Sununga, plantação de mandioca no verão ou barulho ensurdecedor, mais a contento; Maranduba, lugar de guerra ou notícia ruim, o que afinal é a mesma coisa e Caçandoca, toca da encruzilhada. Encruzilhada que nessa pequena mas magnífica serra determina o extremo sul de um dos  mais belos lugares da face do planeta. Arrelá!

Nei Caetano é um dos administradores do grupo Ubatuba Sim, responsável pelos setores de Gastronomia e Cultura, tem 59 anos, natural da cidade de Cosmópolis, ja morou também em Artur Nogueira, Mogi Mirim, Limeira e Campinas-SP, frequenta Ubatuba a 42 anos e a dois escolheu ficar definitivamente.
O Ubatuba Sim o parabeniza por seu comprometimento e amor pela cidade de Ubatuba, é uma grande satisfação e orgulho te-lo na equipe.


FONTE............www.ubatubasim.com.br

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