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domingo, 29 de abril de 2018

Dançarino de Ubatuba é selecionado para representar o Brasil em evento internacional

Ubatuba sem dúvida alguma é celeiro de muitos talentos em vários segmentos tais como no esporte, na educação, nas artes e na dança. T... thumbnail 1 summary




Ubatuba sem dúvida alguma é celeiro de muitos talentos em vários segmentos tais como no esporte, na educação, nas artes e na dança. Temos esportistas medalhistas, estudantes que vencem olimpíadas e muitos destaques e conquistas na dança. Muitos.


Coincidentemente na semana em que se comemora o Dia Internacional da Dança (29 de abril) temos a honra de divulgar mais um talento que se destaca no país, reconhecido com troféu e selecionado para participar de dois eventos que ultrapassam as fronteiras brasileiras.
Daniel Santos vai representar o Brasil na All Dance International que acontece em Orlando e na All Dance Continental que será realizado no Panamá.
All Dance International é uma grande organização de competição de dança, com sede no Panamá e nos Estados Unidos, que reúne competidores do mundo todo. Estes bailarinos são selecionados por meio das seletivas realizadas em diversos países. No Brasil, a seletiva aconteceu no último final de semana, entre os dias 21 e 22 de abril, no Brisa Barra Hotel, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, no evento All Dance Brazil.
Carla Bettin, professora e coreógrafa de Danças Urbanas da Experimental de Dança de Ubatuba, decidiu levar um solo de Daniel Santos, acreditando no potencial do bailarino. E deu certo. Muito certo, aliás! Daael como é carinhosamente chamado por todos, foi premiado com o 3º lugar na modalidade e garantiu a vaga para representar o Brasil na final All Dance International, que acontecerá ainda neste ano na Flórida (EUA), especificamente em Orlando, no Hilton Orlando Resort.
Daniel também ficou entre os TOP 10 da modalidade e por isso classificou para o All Dance Continental, que acontecerá no Panamá também este ano.
“Esse prêmio e a garantia da vaga para que Daniel represente o Brasil no exterior é resultado de um processo árduo em sala de aula e de muita entrega. Não basta só o talento, é preciso trabalhar muito. E Daniel sempre se dedicou intensamente. Além de sempre acreditar nos seus sonhos. E o mais bonito é lembrar que ele iniciou na Experimental por meio do Programa de Bolsas Sonhos Dançantes", enfatiza a Diretora da Experimental de Dança de Ubatuba, Brisa Diamante.
Para Carla, essa conquista mostra que as Danças Urbanas também tem seu valor dentro das vertentes da dança: "As Danças Urbanas, conhecida antigamente como Street Dance, é muito reconhecida fora do país. Mas no Brasil, agora é que tem recebido seu valor. Isso tem mudado com profissionais que estão se qualificando e elevando o nível dessa modalidade, que emprega muito no mercado de trabalho da dança, principalmente no mundo do Show Business. Levar uma obra de Danças Urbanas para fora do país só comprova isso".
All Dance International Orlando irá acontecer dias de 21 a 25 de novembro de 2018 e o All Dance Continental de 17 a 21 de outubro.
Até lá, todos os esforços estarão concentrados para viabilizar a viagem do Daniel com prioridade para a competição dos Estados Unidos e, se possível, também para a final no Panamá.
Quem é Daniel Santos
Sim, Daael é top, Daael é 10. Nós conhecemos o seu talento, torcemos por ele e precisamos ajudá-lo na conquista de apoio financeiro. Temos certeza que podemos contar com você.

Bem, ele mesmo responde:
“Meu nome é Daniel Luis dos Santos e tenho 19 anos de idade.
Eu nasci no interior de São Paulo numa cidadezinha bem perto de Campinas chamada Aguaí. Morava com meus pais num bairro muito pobre que não tinha ruas asfaltadas, muito menos casas chiques. E também não tinha nenhuma escola. Aos 5 anos de idade fui separado dos meus pais e levado para morar num abrigo de menores. Não lembro muito de coisas boas de lá mas lembro que durante o período dos cinco primeiros anos em que fiquei no orfanato eu sofri bullying, apanhava quase todo dia de outras crianças por motivos bobos e cheguei inclusive a apanhar de oito meninos ao mesmo tempo por eu ser baixinho e cabeçudo. Me chamavam de “tampinha de coca”, “carvão”, “palha de aço” (por causa do meu cabelo) entre outras coisas”.
Racismo – “Não deixavam brincar com ninguém porque era negro. Me deixavam sem comida e recebia castigos mais pesado do que qualquer outra criança como ajoelhar na brita e passar a noite num quarto sem água e comida”.
Preconceito – “Quando tinha entre dez e quinze anos me chamavam de “bicha” porque eu não “pegava meninas” tal como todos os outros garotos faziam e fui ficando cada vez mais isolado de tudo e de todos. Estudava e muito pouco conhecia do mundo. O único lugar que havia conhecido além do abrigo era parque de diversões”.
“Fui adotado por quatro famílias mas nenhuma me tratava como filho. Todas me deixavam de canto, me humilhavam, me xingavam.  Apanhava muito, não estavam nem aí pra mim até que aos quinze anos fui adotado pela quinta e última família. A família que considero como minha. Minha mãe é Maria de Oliveira e meu pai Vagno Jesus”.
Mas como afinal de contas a dança entrou em sua vida?
E mais uma vez a explicação é tão comovente que merece ser contada por ele mesmo:
“Eu não sabia direito o que eu queria mas já tinha noção que era a dança. E então procurei o Projeto Namaskar que me acolheu, me apoiou (e apoia até hoje), me ajudou, me doou alimentos nos tempos difíceis (e ainda doam se eu precisar) mas o projeto não oferecia aula de dança então com o tempo que eu fui conhecendo o mundo, conhecendo pessoas, fazendo amizades até que soube do Projeto de Bolsas Sonhos Dançantes oferecida pela Academia Experimental de Dança de Ubatuba.
Eu já havia completado 18 anos quando fiz audição, fui selecionado para participar do projeto, ganhando inclusive uma bolsa”.
Essa era a oportunidade que mudaria definitivamente a sua vida mas antes Daniel ainda teria que driblar a resistência de seus pais.
“Como já era maior de idade e já havia terminado os estudos, meus pais queriam que eu trabalhasse para ajudar em casa entre outras coisas e quando perguntavam o que eu queria ser na vida eu respondia - Quero ser professor de dança! Só isso. Eles então me diziam que o projeto que me ajudava não daria futuro, que a dança não pagaria as contas de casa e que se eu não trabalhasse igual homem de verdade nunca teria minha casa e me sustentaria”.
Entendemos a preocupação de seus pais mas ainda bem que ele não desistiu!
À medida que foi fazendo aulas de dança, foi ficando conhecido, foi se destacando até que no início deste ano foi convidado a se juntar à equipe de professores da escola.
Daael é sinônimo de expressão corporal. Quem já teve a oportunidade de assistir a algumas de suas apresentações sabe bem que é verdade.
Pela Experimental de Dança subiu no palco do Teatro Municipal com a Mostra de Dança que é realizada todo meio do ano e no espetáculo Aloha com a coreografia de Carla Bettin e direção artística de Brisa Diamante “Sonhos roubados” e o solo “Na minha pele” que nesse espetáculo recebeu o nome de “Maldição”.
Daniel também faz parte dos Menestréis de Ubatuba onde ingressou através do Projeto Social Juntos Pode Crer e muitos já o assistiram sem se dar conta de quem ele era. Daael faz questão de contar que foi super bem acolhido pela diretora Luciana Chaer e Candé Brandão à equipe dos Menestréis – outro orgulho, claro!
“Já participei da peça dos Menestréis que reabriu o Teatro Municipal, “A Sétima Arte 1” onde interpretei a cena Rei Leão, e fui DJ da “Sétima Arte 2” onde quem me ensinou a tocar foi Beanca Galrao, umas das melhores DJS que já conheci. Apresentei nove sessões de Vale Encantado duas sendo DJ, duas sendo “João O Vigilante” e quatro sendo “Pinóquio”. Com direito a sessão extra, participou também de uma outra peça que foi apresentada na semana da criança em outubro.
Também integrou o elenco da peça “Pinóquio e a Magia do Natal’ dirigida por Thiago Ramos através da “Nova Cia de Artes”.
Me orgulho também de atuar o que se tornou uns dos meus sonhos realizados”.
A participação no evento que o revela
“Ao receber a notícia de que participaria do All Dance Brazil nem acreditei”.
“Fiquei nervoso na hora da apresentação até porque um dia antes meu braço tinha saído do lugar e voltado, estava doendo muito mas antes da apresentação uma oração feita pela minha coreógrafa Carla Bettin e seu marido Leandro fez com que na apresentação eu não sentisse nada no braço e graças a isso eu fiquei entre os três melhores e conquistei a vaga para participar do evento internacional. Vitória pra todos que estão ao meu lado. Realizei meu sonho com a ajuda de todos ao meu redor e sou muito grato à Brisa Diamente, Carla Bettin, Experimental de Dança de Ubatuba, Erica Lunardi, Projeto Namaskar, Clube de Castores e todos que eu não citei mas que estão no meu coração. AMO TODOS VOCÊS”.
Entre dar aulas, fazer aulas, Daniel também se prepara para representar em Orlando e no Panamá a Experimental de Dança de Ubatuba, Ubatuba e o Brasil. Não é pouco não!
Daniel é talentoso, esforçado, dedicado. Também é uma pessoa simples, humilde, educado. Sua história de vida é uma história de superação, exemplo para muitos, uma lição para tantos outros. E a pessoas que lhe estenderam a mão, lhe deram oportunidade, fizeram e fazem a diferença em sua vida. Foram o início de uma grande transformação.
A história de Daael não terminou. Está sendo escrita e com certeza terá um final feliz!
 



FONTE........




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