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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Escolinhas de surfe formam futuros campeões

Escolinhas de surfe de Ubatuba são “celeiros” de bons surfistas Por Salim Burihan Tamoios News No começo, principalmente, nas décad... thumbnail 1 summary
Escolinhas de surfe de Ubatuba são “celeiros” de bons surfistas
Por Salim Burihan
Tamoios News
No começo, principalmente, nas décadas de 80 e 90, quando os jovens cabeludos e bronzeados, com suas pranchas debaixo do braço, chegavam às praias de Ubatuba, eram mal vistos e até marginalizados.
Lá se foi esta época. Hoje, o surfe se tornou um esporte internacional e até olímpico. Suas estrelas, entre elas, o campeão da recente etapa do mundial da África do Sul, Felipe Toledo, estão entre os atletas mais remunerados do mundo.
O surfe, hoje, se transformou num trampolim para muitos jovens conquistarem o sucesso e a independência financeira. Assim como acontece, há alguns anos, nas escolinhas de futebol, onde garotos tentam atingir o nível de um Neymar, para melhorar de vida, ajudar a família e ganhar muito dinheiro.
Em Ubatuba, hoje, as escolinhas de surfe da prefeitura local, atendem cerca de 600 jovens, com idade entre 7 e 15 anos. As aulas são gratuitas e acontecem duas vezes por semana.
A maioria da garotada, frequenta as aulas, com pretensões de conseguir chegar aonde ex-alunos como Wiggolly Dantas, Suelen Naraisa e Felipe Toledo chegaram, ao topo do surfe mundial.
É o sonho da maioria deles. Tem aluno, que a família investe em tratamento diferenciado na alimentação e contrata até psicólogo, para melhor preparo físico e mental do jovem atleta. Idêntico ao tratamento dado aos jovens que atuam nas equipes de base do futebol brasileiro.
Mais não basta apenas foco. É preciso dedicação e talento. Não são todos os dias que surgem um Neymar, um Felipe Toledo ou um Gabriel Medina. As escolinhas de surfe, no entanto, oferecem muitas oportunidades para aqueles que buscam o sucesso no esporte e uma vida melhor.
Escolinhas
Jacob, um dos idealizadores do projeto
O surfe surgiu nas praias de Ubatuba, no final da década de 70. Lá na Praia Grande. Em 1994 surgiu a AUS(Associação Ubatubense de Surfe). No mesmo ano, o então prefeito Paulo Ramos, decidiu criar um setor de surfe na Secretaria Municipal de Esportes.
O diretor do setor era José Alberto Jacob, um surfista. Jacob começou então a desenvolver um projeto social para implantar uma escolinha de surfe para a garotada na Praia Grande.
O prefeito gostou da ideia e a escolinha, a primeira da cidade, foi inaugurada no dia 4 de abril de 1995. O secretario de Esportes era Richard dos Santos, hoje, atual secretário da pasta.
“A primeira turma tinha 30 alunos. Quinze tinha aulas pela manhã e outros quinze, na parte da tarde, às terças e quintas, das 8 às 11 e das 14 às 17 horas”, recorda Jacob, um dos idealizadores e primeiros professores da escolinha, que tinha como colegas Paulo Mota e Carlos Roberto, também surfistas.
A procura por vagas foi crescendo a cada ano. Em 2010, uma nova escolinha foi aberta no Perequê-Açu; em 2015, outra foi inaugurada na Maranduba; mais recentemente, também na praia de Camburi, extremo norte da cidade.
A escolinha de surfe formou e forma bons atletas profissionais. Jacob, aos 54 anos, há mais de 20 anos no setor de surfe da prefeitura, relembra alguns deles, que se destacaram nacional e internacionalmente.
“Felipe Toledo, Matheus Toledo, Wiggolly Dantas, Renato Galvão, Hizu Betaro, Saulo Júnior e as meninas Suellen Naraisa e Camila Kátia, entre os muitos alunos, que frequentaram as escolinhas de surfe da prefeitura”, relembrou.
Felipe Toledo, primeiro a direita, na época que foi aluno da escolinha de surfe.
Segundo Jacob, a ideia do projeto era basicamente social, garantir a atividade esportiva aos garotos e meninas e formar bons cidadãos.
“É claro que, graças ao talento de cada um deles, se tornaram campeões nacionais e internacionais. É bom deixar claro que não basta apenas participar das aulas. É preciso treino, dedicação, foco e talento para se tornar um campeão”, detalha.
Ubatuba também tem escolinhas particulares de Surfe. As aulas são pagas. A procura é maior nos feriados prolongados e férias de verão, por filhos de veranistas e turistas. Na Itamambuca, tem a escolinha do Zecão; na praia do Sapê, tem a escolinha do Luciano.
Família
Ricardo Toledo, bi-campeão nacional, ex-professor da escolinha e técnico e manager de Felipe, líder do ranking mundial em 2018 e ex-aluno da escolinha. Foto-Divulgação
O pai de Felipe Toledo, atual líder do ranking mundial de 2018, o Ricardo Toledo foi professor da escolinha durante dez anos. Ricardinho como ele é conhecido ia dar aulas levando os filhos Felipe e Matheus.
Ricardinho foi um dos grandes nomes do surfe ubatubense nas décadas de 80 e 90. Em 20 anos de surfe, foram três títulos brasileiros e um vice-campeonato mundial de masters.
Hoje, ele é técnico e manager do filho Felipe. Ricardinho começou a surfar com cinco anos de idade. Seis filhos Felipe e Matheus começaram até mais cedo.
Segundo Jacob, o sucesso de Felipe, fez aumentar ainda mais a procura por aulas nas escolinhas de surfe da prefeitura.
“Hoje, temos mais de 550 alunos e dez professores. O sucesso dos nossos surfistas, estampado na mídia, faz com que cada dia mais e mais garotos procurem seguir o mesmo caminho deles. Por isso, aumenta a cada dia a procura pelas nossas escolinhas”, comentou Jacob.

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